Homenagem ao Sr Toninho Butuca - Antonio Leite Neto, por Camila Tardelli
- 4 de abr. de 2016
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"Sou do tempo que todos conheciam todos eram compadres ou parentes rua debaixo rua de cima largo da matriz largo da cadeia missa das oito missa das dez duas pontes janeiro, chuva junho, frio agosto, festa do divino banda, rojão e procissão duas farmácias dois farmacêuticos dois dentistas dois padres quatro armazéns dois açougues dois bares duas capelas no jacueiro no baixadão leite e pão na janela marcados na caderneta essa é a Piedade que se foi que eu nunca esquecerei" 'Camila, quando você ler estes versos de pé quebrado, sentirá Piedade dos seus avós' Acaba de partir deste mundo Seu Antonio Leite Netto, Seu Toninho, grande escritor da terrinha. Recebi a notícia e não consegui mais dormir... Seu Toninho é autor dos dois livros "HISTÓRIA DE PIEDADE I", "HISTÓRIA DE PIEDADE II". Ele sabia tudo sobre a cidade, tinha documentos, registros, passou décadas estudando a história da nossa cidade. Na época do orkut, escrevia, naquela página de Piedade, sobre o Clube Literário, sobre a chegada de cada família... Eu ficava encantada com a riqueza dos detalhes de suas descrições. Era puro amor por Piedade. Quando eu era criança, li seu primeiro livro e ficava impressionada de conhecer o autor. O livro tem textos e imagens lindas sobre a cidade, é um registro fundamental sobre nossa história. Eu escrevia uns poemas, tia Lu, que casou com o filho dele, levava para seu Toninho ler e ele mandava respostas bonitas, elogiando minhas palavrinhas adolescentes. Uma vez fomos para a praia juntos, acho que foi em 2010, e proseamos muito. Depois eu escrevi agradecendo a conversa e ele me respondeu assim: "Camila, eu também adorei conversar com você. Uma conversa descontraída à beira da praia é bom demais. Poucas pessoas sabem conversar. Uns são radicais, outros não deixam você falar e ainda há aqueles que falam alto demais. Você é boa de prosa, como dizem no bairro dos Leites". Eu tenho tudo guardadinho porque sou como ele, uma colecionadora de palavras. No ano passado, levei meu livro de presente e ele quis assinar ao lado do meu nome. Ele já estava doente e demoramos para entender o que dizia. Depois me disse baixinho: "Você sabia que Monteiro Lobato, toda vez que ganhava um livro, escrevia seu nome do lado do nome do autor?". Não sabia, Seu Toninho. Não sabia. Hoje é um dia em que Piedade perdeu uma das pessoas que mais a amou, a conheceu e divulgou suas histórias. Se eu fosse a prefeita, decretava feriado. Que Seu Toninho seja bem recebido no céu, recebido com uma festa bem bonita, bem alegre e repleta desses personagens da cidade, dessa gente que ele tanto ama. Força para sua esposa e para meus primos Vinicius e Giovana, que acabam de perder o avô. Agora ele está livre da doença. D

eve estar sorrindo, deve estar correndo, deve estar contando suas histórias. Voe, Seu Toninho, voe.
































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